Trinta anos de um jogo eterno para Petrópolis

Íntegra da matéria publicada em O Terminal

19 de novembro de 1980. O dia em que o futebol de Petrópolis entrou no mapa do esporte nacional. Hoje fazem 30 anos da vitória do Serrano sobre Flamengo por 1 a 0, que impediu o rubro-negro de conquistar o – ainda – inédito tetra-campeonato estadual.

Era a penúltima partida do azul e branco no campeonato, melhor participação do Serrano na 1ª divisão. Campeão em 78 e duas vezes em 79 (ano em que houve um campeonato especial), o Flamengo lutava para ir a decisão com o Fluminense.

– Ninguém acreditava no time, o Flamengo esperava vencer aqui. E deixou de ser campeão, tudo por culpa do Anapolina. Que só fez um gol naquele campeonato, logo aquele! – relembra o massagista do clube, à época, João Vollmer.

O jornalista da ESPN, Eduardo Monsanto, fez do gol o seu trabalho de conclusão de curso; com um documentário que conta os detalhes da façanha. Apesar de ter apenas um ano em 1980, nunca deixou de ter convicção da importância daquele momento.

– O gol do Anapolina é o momento de maior exposição do Serrano em toda a história do clube. O time de Petrópolis ficou conhecido no país inteiro por ter atrapalhado o inédito tetra estadual do Flamengo, que era naquele momento o melhor time do Brasil, e no ano seguinte, seria o melhor do mundo vencendo Liverpool em Tóquio.

Em seu trabalho acadêmico, Monsanto reconta o temporal que caia na cidade, que fez o presidente rubro-negro Márcio Braga tentar adiar a preliminar que envolveria as duas equipes. Enquanto isso, o presidente do Serrano, Monteiro Guerra, resolveu se esconder em meio a multidão, que lotava as arquibancadas.

– Se estavam 15 mil pessoas dentro do Atílio Marotti, creio que havia o mesmo número do lado de fora. Precisaram chamar o Exército, para ajudar a Polícia – lembra Vollmer.

E quando a bola rolou para o jogo de fundo, era a força e a correria serranista se sobrepondo a técnica rubro-negra, consagrada com o título brasileiro naquele mesmo ano. Dudu Monsanto descreve com detalheas, aquele mítico gol:

– Aos 18 minutos de jogo, Zico (logo ele) erra um passe. Humberto domina a bola e toca para Anapolina; este lança Luís Carlos na direita, livre para fazer a penetração. A bola é cruzada da linha de fundo, resvalando em Luís Pereira e passando por Marinho. Anapolina aparece entre os zagueiros e emenda de primeira, sem chances para o goleiro Raul. Serrano 1 a 0.

Uma explosão de alegria tomou conta do estádio. Mas, infelizmente, nem o herói, nem o clube, seguiram caminhos gloriosos. Anapolina só jogou mais uma vez como profissional. Depois, pediu reversão para o amadorismo e foi jogar no Petropolitano, em seguida se transferindo para o Internacional. Teve um bar em Petrópolis, trabalhou em oficina mecânica em Juiz de Fora, e atualmente, transporta leite, em Matias Barbosa (MG), sua cidade natal, onde vive, totalmente, avesso a qualquer contato com a imprensa.

Já o azul e branco, segundo quem viu de perto, curiosamente, iniciou naquela vitória sua derrocada. Segundo João Vollmer, a causa foi a cobiça de alguns dirigentes, que ficaram explícitas naquela noite de estádio lotado.

– Quando acabou o jogo, fui buscar água para os jogadores e não havia mais no clube. Tudo o que tinha no clube para ser vendido, cerveja, refrigentes, foi vendido. Mas, quando os atletas foram cobrar o bicho da partida, um diretor afirmou que a noite tinha terminado em prejuízo. Um absurdo. Ali, vi que o olho começou a crescer.

Nessa sexta-feira, 30 anos depois da histórica vitória, o Serrano apresentou um projeto audacioso, capitaneado pelo coordenador de futebol Carlos Alberto Lancetta (ex-América, Seleção Brasileira, Vasco, Botafogo) e pelo técnico Duílio Dias (ex-zagueiro do Flu e auxiliar de Carlos Alberto Parreira, no título tricolor da Série C). Com um grupo de investidores, a equipe começa a ser montada, provavelmente, para disputar a Terceira Divisão do Carioca em 2011.

O grande objetivo é chegar, nos próximos três anos, na Primeira Divisão, já brigando por vaga na Série D do Brasileirão. Em 2015, ano do centenário do Leão da Serra, a intenção é colocar o clube entre os emergentes do futebol nacional; com direito a uma Arena; um Centro de Treinamento, candidato a ser instalação para a Copa do Mundo e Olímpiadas; e, principalmente, se tornar referência na formação de atletas.

Ficha técnica

Serrano 1 x 0 Flamengo

Estádio: Atílio Marotti (Petrópolis-RJ)

Árbitro: Aloísio Felizberto da Silva

Auxiliares: José Gabriel da Silva e Reginaldo Mathias

Renda: Cr$ 1.799,280 / Público: 14.994

Gol: Anapolina – 19 do 1º tempo

Serrano: Acácio; Paulo Verdan, Renato, Paulo Ramos e Cândido; Israel, Moreno, Wellington e Humberto; Luiz Carlos e Anapolina. Téc.: Luiz Carlos Quintaninha.

Flamengo: Raul; Leandro, Luis Pereira, Marinho e Júnior; Victor, Adílio (Andrade) e Zico; Tita, Anselmo e Edson (Júlio César). Téc.: Cláudio Coutinho.

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Um comentário sobre “Trinta anos de um jogo eterno para Petrópolis

  1. Boa matéria. Gostei!

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