Um novo calendário para o futebol do Brasil

Se você acompanha esse blog, já percebeu que o autor anda meio desaparecido. Peço perdão, mas, o trabalho é intenso e além disso, os momentos extras, acabam sendo utilizados, entre outras coisas, para escrever no Rivais do Rio, onde falo sobre o Vasco da Gama. Mas, também não posso negar certo desleixo, afinal, vou fazer agora, a continuação de um texto postado em 13 de agosto de 2009! Por isso, deixo link aqui, pois, é importante para situar sobre algumas considerações (detalhe no lamentável aviso de que, no dia seguinte, haveria essa continuação…hehehe…pior que político!).

Pois bem, falemos então do calendário tupiniquim. Como disse no texto anterior, sou a favor de que adotemos o sistema de temporada europeu. Sem qualquer desejo de copiar, por si só, o que rola lá fora, creio que essa seria uma forma de valorizar nosso futebol. Mas, é claro, que seria preciso de ações de marketing, melhores negociações de venda dos direitos de TV aqui e no exterior; que aumentariam as receitas dos clubes, sem dúvida. Mas, chega de papo e vamos a minha humilde proposta:

Desde 96, com o Botafogo no Teresa Herrera (foto) e o Corinthians no Ramón de Carranza, um brasileiro não conquista torneio de verão na Europa

A pré-temporada começaria no início de agosto (junto com a de países como Itália, Espanha e Inglaterra). Durante um mês, os clubes realizariam amistosos, torneios (também amistosos) e excursões por outros países. No último fim de semana do mês, a temporada seria aberta oficialmente, com um duelo entre os campeões do Brasileirão e da Copa do Brasil, em estádio previamente sorteado. Na primeira semana de setembro, começariam os Estaduais. Em TODAS as unidades da federação, o sistema seria o mesmo: 12 clubes na Primeira Divisão, com modelo semelhante ao do Campeonato Carioca, com dois grupos, em dois turnos. Seriam, no máximo 17 datas a serem disputadas até o meio de novembro (período com 20 datas).

Além disso, só haveria disputa simultânea da Copa Sul-Americana, que teria, uma fase ainda na pré-temporada, outra nesse período dos Estaduais; mas, grande parte da competição acontece mais para o fim do ano mesmo. Pois bem, na na segunda quinzena de novembro começaria o Brasileirão, que iria até o fim de junho. Seriam cerca de 60 datas (excluindo os períodos de Natal e Ano Novo); com tranquilidade, se disputariam 38 rodadas do nacional e ainda sobrariam 22 datas, onde caberiam a Copa do Brasil e a Libertadores.

O Brasileirão teria 4 divisões. As Séries A e B, do jeito que estão; a Série C com 28 equipes (duas chaves de 14, regionalizadas, jogando em ida e volta; passando os três primeiros para um hexagonal final, onde subiriam os 4 primeiros; os dois últimos de cada chave seriam rebaixados); e, a Série D teria os três melhores do Estadual (que não estivessem em outra Série), mais o campeão da Copa Estadual do ano anterior (caso não houvesse clube de primeira divisão Estadual apto a disputa, as vagas seriam completados com os times desta competição) mais os 4 rebaixados da Série C do ano anterior; somando 112 equipes (divididas em 8 chaves regionalizadas de 14, nas quais as equipes jogariam em turno e returno, se classificando 2 por chave; novamente regionalizadas seriam 4 chaves de 4, com os campeões subindo de divisão; essas equipes disputariam dois mata-matas para decidir o campeão).

Teríamos também a Copa do Brasil, que duraria de setembro até junho; e poderia ter quantos times a CBF quisesse, no melhor estilo FA Cup. No minímo poderíamos ter todos os times de Primeira e Segunda Divisões Estaduais, ou seja, uns 300. Mas, nas primeiras fases, só jogariam os times de menor expressão, das Segundonas (que começariam só no fim da elite Estadual); mais para a frente entrariam os times de Primeira Divisão Estadual; depois os de Série D, e assim por diante. Os grandes mesmo, só entrariam em janeiro. O bom, é que a folga permitiria que as equipes da Libertadores também atuassem na competição.

 

Quem sabe um dia, Cacerense-MT (azul) e Juventude-MA (branco), não duelam numa 3ª fase da Copa do Brasil, sonhando em surpreender o país?

Como disse, as Segundonas e Terceironas Estaduais começariam em meados de novembro e seriam disputadas até março (para dar folga a qualquer equipe que também disputasse a Série D). Abril, maio e junho, seriam destinadas as Copas Estaduais, que poderiam ter todas as equipes do Estado, que não estivessem nas 4 divisões do Brasileirão (claro, que tendo um regulamento racional, para se poder jogar em 3 meses). Findo tudo isso, durante o mês de julho, férias para todo mundo. Em ano de Copa, as férias cairiam no período da competição.

Acho que é isso. Espero que tenha dado para entender (rs), afinal, são muitas divisões e competições. Mas, só para concluir, gostaria de reafirmar que não gostaria de ver o fim dos Estaduais. Essas competições são tradicionais no Brasil, mas, precisam ter seu espaço proporcional a sua atual importância. Dois meses e meio seriam um ótimo período e permitiria muitos clássicos por todo o país.

Bom, está aberta a discussão. Comente e participe!

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10 comentários sobre “Um novo calendário para o futebol do Brasil

  1. E você sabe por qual motivo Libertadores e Sulamericana não ocorrem na mesma época?

    Exigência da AFA na ocasião da criação da Sulamericana. Só aceitariam participar se pelo menos Boca ou River participassem, por isso ela não acontece na mesma data da Libertadores.

    Mal sabia a AFA que uma hora os dois clubes iriam afundar…

  2. Leo,
    sem dúvida os clubes não deveriam pagar despesas de viagem alguma, afinal, com os cofres da CBF lotados, isso é um absurdo. Seria mole fazer uma parceria com uma empresa que patrocinaria a Série A, mas, a grana iria para as Séries C e D.
    Nem falo em criação de uma Liga, como há na Europa para gerir as competições. Só gostaria de ver a CBF mais empenhada em vender melhor o campeonato nas suas 4 divisões para todo o mundo.
    Com um pouquinho de boa vontade não seria difícil.

  3. Luiz Paulo,
    os Estaduais, com os pequenos jogando durante algum tempo e pegando os grandes no fim, também é interessante; acho que o problema seria o calendário, que acumularia.
    Sem dúvida o ideal seria a Conmebol adequar o seu calendário ao dos clubes do Brasil (e no caso da Argentina também); fazendo as competições durarem o ano inteiro.

    Renan,
    a ideia é essa começar no último fim de semana de agosto ou primeiro de setembro. Os principais campeonatos navegam por aí. Julho seria um mês totalmente parado, já em agosto os times poderiam passar duas semanas só treinando e depois treinando e fazendo esses jogos amistosos.

  4. quem vai pagar 14 jogos na serie D em divisoes regionalizadas? a CBF ou os proprios clubes?

  5. Essa foi a melhor proposta de calendário que já vi.
    Só tenho uma dúvida. Vc disse que a pré-temporada começaria em agosto, como na Itália. Só que lá, em julho os times já começam a treinar. E o campeonato começa no fim de agosto.
    O ideal, para mim, é ter no mínimo 3 semanas de treinamentos – e as excursões após essas semanas. Talvez a pré-temporada começando no meio de julho, seria mais adequado.
    E adaptaria o calendário para ter férias a partir de junho (final da libertadores no fim de maio) – brasileirão terminando um pouco antes.

  6. Eu já escrevi algumas vezes sobre isso no Resenha, independete de começar no segundo semestre ou no primeiro, nossa temporada deveria ter pelo menos 2 exigências:
    1 – Sulamericana e Libertadores simultâneas, quem joga uma não joga a outra
    2 – Copa do Brasil no estilo FA Cup, como você bem disse, com quantos times forem e nas primeiras fases apenas os times que não estejam nas divisões principais do Brasileirão.

    Outro ponto importante que citei no meu último texto você resolveu de forma simples: Antecipou o estadual.

    Eu tinha sugerido algo do tipo em que os clubes menores fariam preliminares, para classificar e enfrentar os grandes posteriormente.

  7. Acredito que seja por aí mesmo!! Absurdo deixar os times da Libertadores de fora da Copa do Brasil e é possível sim fazer um Estadual mais enxuto!!

    Os estaduais têm que permanecer e a fórmula ideal me parece ser a de 12 clubes com o esquema de dois turnos do Carioca ou como o Mineiro em que se classificam os 4 primeiros para decisão!

    Caberia a avaliação do que se adequaria melhor em cada estado! Acredito que RJ e SP poderiam manter 2 turnos e os demais seguirem o Estadual de MG!!

    SRN

  8. João,
    a transição sempre é o complicado, sem dúvida. Mas, o melhor a se fazer, seria, por exemplo, o Brasileirão 2011, começar em maio e durar até junho do ano que vem. Aí já seria iniciada a competição dos moldes que proponho.

    Rafaella, o que vc achou confuso?

  9. Bruno acho que esse ideia eh muito boa e teria de tudo pra dar certo no Brasil, afinal de contas eh basicamente a formula que se usa aqui na Inglaterra, excluindo os estaduais. Voce so nao deixou claro como seria feita a transicao da forma atual para a que vc propos. Poderia me explicar? Abraco.

  10. Confesso que naquela parte ali do Brasileirão fiquei meio confusa.
    O que eu acho mais bacana dessa sua sugestão é os clubes disputarem Libertadores e Copa do Brasil, que são completamente diferentes, mas ambas têm seu charme. E os 300 clubes nessa última também seria legal, com uma oportunidade para os pequenos disputarem uma coisa bacana.
    Já sobre os estaduais me agrada mais o formato do Paulistão. Sem turno, com um campeão e pronto!

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