Precisamos falar sobre vitórias

Todo dia seguinte a um grande jogo de futebol, a história é muito parecida: passamos o dia explicando as causas da derrota do que os motivos da vitória. Claro que é preciso considerar os regionalismos, bairrismos, e outras características do nosso jornalismo esportivo.

Nesta semana, dou dois exemplos, que foram a segunda semifinal da Liga dos Campeões, em que se preferiu falar sobre o suposto declínio do Barcelona do que sobre a qualidade do Bayern de Munique, assim no jogo de ontem da Libertadores, o foco foi na expulsão de Lúcio do São Paulo e não na força do Atlético Mineiro.

Porque focar apenas em Messi, quando o destaque é o belo time do Bayern de Munique?

Hoje me peguei pensando nos motivos disso acontecer. Talvez seja histórico, já que momentos chaves da humanidade costumam ter a busca pela figura de um culpado, ou de determinado fato que provoque o desfecho por nós conhecido. Acho que citar exemplos aqui é querer criar problema, então me abstenho, deixando a conversa para sociólogos e historiadores.

Voltando ao futebol, me impressiono com a necessidade de se explicarem as derrotas em um jogo, afinal, sempre haverá perdedor. E, sem querer defender minha classe, sugiro a reflexão àqueles que são grandes fãs do futebol: no dia seguinte a um duelo que seu time saia vencedor, você se preocupa tanto em ver comentários, mesa-redondas, crônicas, do que quando ele perde?

Ainda dentro dos exemplos que citei acima, porque nos prendemos tanto no fato da ausência de Messi e não debatemos a evolução do futebol alemão. Quer ver só? Gostaria de ver falarem sobre a adaptação de Bayern e Dortmund ao costumeiro esquema de três atacantes dos holandeses. Se nos Países Baixos, os homens de frente são de ofício em maior parte, a dupla optou por atletas mais talentosos do que goleadores.

Sobre o jogo de ontem, por horas e horas a conversa foi sobre se o São Paulo pode contar com jogadores como Lúcio e Luís Fabiano, mas nunca sobre a demonstração do Atlético de que é o grande favorito a conquistar a Libertadores. Pouco se falou sobre a qualidade do elenco do time mineiro e nem como este é superior ao de todos da competição. Nem mesmo a pura e simples constatação de que com Victor, Pierre, Ronaldinho e Diego Tardelli, o Galo sim tem jogadores experientes e calejados.

Talvez, por estas e outras – como a predileção por discutir arbitragens e lances polêmicos -, acho que estamos afastando muita gente do futebol. Não que o extra-campo precise ser ignorado, mas os bons precisam ser mais valorizados, as vitórias precisam ser maiores que as derrotas. Faz parte do jogo, faz parte da construção do ser humano.

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