Campeões do dinheiro, do sofrimento e da preguiça

 Por Douglas Rocha*

Clube que mais gastou para reforçar o elenco na atual temporada europeia graças a um grupo de investidores árabes que o adquiriu em 2011, o Paris Saint-Germain saiu de uma fila de 16 anos e chegou ao terceiro título francês de sua história. A conquista foi confirmada no último domingo com uma vitória por 1 a 0 sobre o Lyon, no campo do adversário.

No Brasileirão, o atual campeão também é “rico”. Bancado pelo patrocínio da Unimed, o Fluminense teve a maior folha salarial do campeonato em 2012 (R$ 8 milhões por mês, de acordo com o “Diário de São Paulo”) e levantou o troféu, o segundo do clube na competição em três anos.

Campeão brasileiro de 2012, Fluminense desagradou a muitos pela falta de brilho nas suas vitórias

Mas o dinheiro abundante, que permite pagar R$ 720 mil a Thiago Neves ou R$ 900 mil a Thiago Motta, não é o único ponto em comum entre os campeões nacionais. Os placares magros também unem PSG e Flu, algumas vezes por obterem vitórias sofridas contra grandes adversários, mas, na maioria, por “jogarem para o gasto”.

O placar do triunfo do último domingo, obtido no estádio Gerland, foi o mais repetido pela equipe do técnico Carlo Ancelotti: nove vezes. Soma-se a essa lista um 2 a 1 sobre o Lille.

Vencer por 1 a 0 o Lyon, time que em boa parte do campeonato brigou pela liderança, seja em seus domínios ou mesmo em Paris, como aconteceu no primeiro turno, não é demérito algum. Mas e quando se fala de Troyes, Evian e Stade Reims, três dos que lutam contra o rebaixamento?

No caso do Tricolor, o flerte com o risco é ainda maior. Das 22 ocasiões em que os comandados de Abel Braga saíram de campo com os três pontos, 14 foram graças a uma vitória por um gol de diferença. Quatro delas, em clássicos – Flamengo (2 vezes), Vasco e Botafogo -, mas duas contra o Palmeiras e uma contra o Sport, equipes que em 2013 disputarão a segunda divisão. Sem falar em Náutico, Ponte Preta e Coritiba, meros coadjuvantes no último Brasileirão.

O alto número de vitórias apertadas contra adversários mais fracos tem o mesmo motivo em Paris e no Rio de Janeiro. Vendo PSG e Flu em campo, assistimos à mesma preguiça de grandes jogadores que acreditam que a partida será resolvida a seu favor a qualquer momento, sem que tenham que suar o mínimo que seja.

Com alguns astros e outros ótimos jogadores, PSG mostrou contra o Barcelona que pode mais do que apresentou no Francês

Hoje, não é raro ver esses dois times fazendo um gol e administrando a vantagem ou irem para o vestiário com um empate. Nesse último caso, o roteiro é o mesmo, com os jogadores voltando do vestiário dando mais sangue, certamente depois de uma bronca de Ancelotti ou Abel.

Com os títulos nacionais recentes, Paris Saint-Germain e Fluminense sonham agora com conquistas continentais. Faria bem a ambos valorizarem confrontos menores, empenhando-se 100% sempre, para chegarem a duelos contra Barcelonas e Bocas na ponta dos cascos.

Lista das vitórias por um gol de diferença de Paris Saint-Germain e Fluminense:

PSG no Francês 2012/2013:

2×1 Lille (fora)
1×0 Stade Reims (casa)
1×0 Nancy (fora)
1×0 Lyon (casa)
1×0 Bordeaux (fora)
1×0 Lille (casa)
1×0 Montpellier (casa)
1×0 Troyes (fora)
1×0 Evian (fora)
1×0 Lyon (fora)

Fluminense no Brasileirão 2012:

1×0 Corinthians (fora)
1×0 Flamengo (neutro)
2×1 Ponte Preta (fora)
2×1 São Paulo (casa)
1×0 Palmeiras (casa)
1×0 Sport (casa)
2×1 Vasco (neutro)
1×0 Internacional (fora)
2×1 Náutico (casa)
1×0 Flamengo (neutro)
1×0 Botafogo (neutro)
2×1 Ponte Preta (casa)
2×1 Coritiba (casa)
3×2 Palmeiras (fora)

* Douglas é jornalista, editor de texto de esportes da Agência EFE

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2 comentários sobre “Campeões do dinheiro, do sofrimento e da preguiça

  1. Eu acho que são casos diferentes, Knop. Espanha e Corinthians continuam se empenhando ao máximo mesmo depois de se colocarem em vantagem no placar. O Fluminense abdica de jogar e se tranca atrás pra ver o que acontece, e o PSG também tira o pé nitidamente.

  2. Cara, chamo essa série de resultados apertados de eficiência.

    Temos dois ótimos paralelos recentes: Espanha campeã de tudo em 4 anos e o Corinthians 2011/2012

    O time entra sabendo o que precisa pra vencer, e na primeira brecha mata o jogo

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