Lição azzurra

O papo depois da semifinal da Copa das Confederações, disputada nesta quinta-feira no Castelão foi: a Espanha pode perder. Sim, é verdade. Acho, no entanto, que está mais para a Itália pode vencê-la. O Brasil, que agora tem os campeões mundiais e bi europeus pela frente, deve se preparar para o pior.

Contra espanhois, italianos caíram no pé, e mostraram que podem derrotar os campeões mundiais

Os comandados de Luiz Felipe Scolari podem vencer usando sua forma atual de jogar, o que parece impensável hoje, devido a sempre respeitada máxima “futebol é uma caixinha de surpresas”. Os pentacampeões, no entanto, precisam mostrar mais para poder assustar aos atuais bicho-papões entre seleções mundiais.

Em entrevista concedida ontem à noite, o coordenador técnico Carlos Alberto Parreira descartou qualquer mudança visando adaptar a seleção brasileira ao estilo espanhol. “Não é hora de mudar o que tem dado certo até agora”, disse.

Isso me lembra Zagallo, nas vésperas do duelo em que o Brasil foi eliminado na Copa do Mundo de 1974: “A Holanda não me preocupa”, garantia. Só faltou Parreira dizer que a Espanha, tal qual afirmara o Velho Lobo, era “muito tico-tico no fubá”.

Zagallo e Parreira seguem mostrando que vivem num mundo onde só o Brasil é forte

Claro que a Azzurra tinha muito mais familiaridade com os bichos-papões do futebol do que o Brasil tem. No ano passado se encontraram duas vezes na Eurocopa, com um empate na fase de grupos e uma derrota por 4 a 0 na final. O Brasil enfrentou a Espanha pela última vez em 1999, empatando em 0 a 0, em Vigo. Para se ter uma ideia, Guardiola estava em campo.

Pois bem, a Itália, atual vice-campeã da Europa e campeã mundial sete anos atrás, fez seis alterações para o jogo de ontem com relação ao time que encarou o Brasil no sábado passado. SEIS. Está certo que duas foram forçadas: Abate e Balotelli se contundiram. Barzagli fora poupado e recuperou a vaga, já Pirlo ficou disponível após se recuperar de lesão.

Não mudaram só nomes, entretanto. Mudou o sistema de jogo. Saiu o 4-4-1-1, variável pra um 4-3-2-1, para entrar o 3-3-3-1. Com duas linhas de três marcadores bem delineada, Cesare Prandelli deu liberdade para Candreva – que pouco apareceu -, Maggio e Giaccherini atacarem.

Deu certo colocar estes dois últimos nas costas de Arbeloa e Alba, assim como a primeira linha de meias com De Rossi, Pirlo e Marchisio. Faltou um centroavante com mais presença. Além disso, o técnico mexeu mal no intervalo, sacrificando o melhor em campo De Rossi, que passou a atuar de zagueiro no segundo tempo.

Se Felipão quisesse fazer algo semelhante, não seria fácil. Daniel Alves e Marcelo poderiam ser mais avançados, formando a penúltima linha com Neymar, e tendo Fred mais adiantado. Lá atrás, Thiago Silva, David Luiz e Dante; Luiz Gustavo, Paulinho e Hernanes jogariam. Assim, do time atual, Oscar e Hulk dançariam.

Não, não defendo estas mexidas. Estou apenas fazendo um exercício com um Brasil semelhante a Itália de ontem. Acho, inclusive, que esta formação não funcionaria, já que o trio de meias não tem a mesma versatilidade do tridente formado por De Rossi, Pirlo e Marchisio. Neymar centralizado tentando apoiar Fred também seria uma incógnita.

Como disse antes, o Brasil pode vencer com a formação que vem utilizado, acho que não conseguirá isso mantendo a forma de jogar. A Itália complicou a vida espanhola devido a doação dos jogadores, que participaram intensamente do jogo. Oscar, Neymar e Hulk, ou quem quer que seja, precisam fazer o mesmo.

Maior destaque da Copa das Confederações até agora, Neymar tem que ser mais participativo contra a Espanha

Contra a melhor seleção da atualidade, não dá para jogador ficar esperando bola aberto na ponta, muito menos colocar a mão na cintura após bola perdida. Incomodar é fundamental, assim como se desdobrar para fazer com que o “tiki-taka” seja improdutivo.

Para mim é claro que o time brasileiro, incluindo aí o craque Neymar, Oscar, Hulk e Fred precisam mudar a mentalidade. Quem sabe espelhado na própria seleção holandesa de 1974 e seu “futebol total”. Também é possível olhar para o próprio elenco, para Paulinho, o mais moderno jogador brasileiro na atualidade.

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2 comentários sobre “Lição azzurra

  1. Paulo, respeito a trajetória do Zagallo, apesar de questionar como ele chegou lá, mas isso, é claro, é uma questão de cada um. Sua opinião é justa. Acho sim, que essa comissão técnica está espelhada no que ele tem de pior, o ufanismo global, que considera que “eles é que têm que se preocupar com a gente”.
    Quanto ao Felipão, ele já tirou nota 10 ao levar o Brasil para a Copa das Confederações. Olhando friamente, a Espanha é a grande favorita, por inúmeros fatores, ou seja, ser vice-campeão da Copa das Confederações não é demérito para ninguém.
    O que o técnico brasileiro pode fazer é dar “o pulo do gato”, ou seja, usar sua condição de franco-atirador para surpreender um rival mais experiente, mais consistente. O problema é, de novo, o ufanismo. Se as ponderações estivessem sendo feitas de maneira mais sóbria, talvez a grande maioria dos torcedores aplaudiriam o time mesmo perdendo para a Espanha.

  2. Depois de ler atentamente as colocações acima me permito fazer duas observações. Em primeiro lugar discordo do termo pejorativo usado em relação a Zagalo ,bicampeão como jogador, campeão em 70 como treinador e campeão em 94 como coordenador técnico , além de vice campeão em 98 na França . Em qualquer país alguém com tamanho número de conquistas seria reverenciado, enquanto aqui chega a ser achincalhado por alguns, só por seu ufanismo patriótico, que deveria ser pelo menos respeitado . Em segundo lugar não vejo como possamos jogar como a Holanda de 74, pois não contamos com jogadores com caracteristicas de rapidez e mobilidade, como existiam no “carrocel holandês” Quanto a mudar o esquema no último e decisivo jogo, seria arriscar demais , pois lembrando o brasileiro Oto Glória que levou Portugal às semifinais em 66 “se vencer o treinador é bestial se perder é uma besta” e já tem jornalista “doidinho” para “queimar” o Felipão e olha que bem ou mal o time não tem decepcionado .

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