Gols, confronto, título e gás lacrimogêneo no Maracanã

Domingo em um estádio de futebol sempre é bom, mas como contei aqui, nesta Copa das Confederações o primeiro deles não tinha sido tão agradável . Ontem, no entanto, a coisa foi muito diferente, pelo esquema de guerra montado fora do estádio e pelo o gás lacrimogêneo que invadiu o Maracanã, nos fazendo lembrar que não era só o título que queremos. Na bola, tudo deu certo para o Brasil, tomara que fora de campo ela também role redonda e o país avance.

O dia foi de sensações mistas. Primeiro, pela tensão de ver tantos policiais nas ruas. Moradores estavam tensos por não saberem direito como ir e vir. Só que enquanto a entrada e permanência na “zona de exclusão” da Fifa só era permitida com ingresso ou comprovante de residência, milhares de evangélicos distribuíam tabelinhas da Copa das Confederações (!?), empunhavam bandeiras. Vai entender. Um grupo me disse que não foi importunado para chegar aos portões do estádio, as estações de metrô. A PM respondeu que o pepino é da Fifa, que como se sabe, não presta contas para ninguém.

Grupo da Assembleia de Deus tentava evangelizar no entorno do Maracanã

Por outro lado, a entidade que rege e fatura com o futebol mundial endurecia o rigor na entrada dos perigosos jornalistas. Lá, na sala de imprensa, onde a garrafinha de água custava R$ 6, um sanduíche vagabundo R$ 15 e um almoço R$ 30, não era permitido entrar com qualquer tipo de comida e bebida. Nem mesmos ameaçadores guarda-chuvas escapavam do infravermelho da segurança. Pelo menos, estes foram devolvidos na saída.

Nas quatro linhas, tudo era espetacular, o clima, a empolgação da torcida, o hino arrepiante – ok, a cerimônia de encerramento foi muito fraquinha. Ainda no primeiro tempo, contudo, era possível sentir da tribuna de imprensa o gás lacrimogêneo. Olhos queimavam, boca secava e nariz ardia. E o pau comia no entorno do Maracanã. Após a final soubemos que houve polícia disparando seus artefatos para dispersar manifestantes na porta do estádio. Houve corre-corre até entre voluntários da Fifa.

O uso indiscriminado de bombas de gás e balas de borracha precisa ser criteriosamente avaliado

Não estava escalado para cobrir protestos ontem. Soube apenas que o clima de guerra se confirmou com muita violência. Um companheiro que estava no local, e em quem confio, relatou que as agressões partiram de um grupo que estava no protesto. A partir daí, a selvageria começou, com direito a bombas de gás jogadas dentro de prédios (pouco para quem já fuzilou uma rua inteira, né?). Até mesmo o atacante Hulk admitiu que sentiu os efeitos do gás lacrimogêneo dentro de campo.

O jogo foi espetacular pela atuação de torcida e times brasileiros. Apesar da presença na tribuna, não estava lá para assistir a final e a vitória por 3 a 0. Até quero revê-la logo que puder. Foram 15 dias sensacionais, de muito trabalho e de grandes êxitos profissionais. Que venha a Copa do Mundo!

Todas as matérias que produzi neste domingo, antes, durante e depois da final da Copa das Confederações:

Forças de segurança montam esquema de guerra no entorno do Maracanã

Grupo de manifestantes e polícia entram em confronto próximo ao Maracanã

Edmundo crê em vitória do Brasil e relembra Copa das Confederações de 1997

Torcida não poupa Joseph Blatter e vaia presidente da Fifa no Maracanã

Hulk admite ter sentido efeito de gás lacrimogêneo no gramado do Maracanã

Dante e Luiz Gustavo celebram ano perfeito no Bayern e na seleção brasileira

Julio César explica homenagem a Casillas: “atravessou um momento difícil”

Fred diz que vitória sobre Espanha é o momento mais importante da carreira

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Um comentário sobre “Gols, confronto, título e gás lacrimogêneo no Maracanã

  1. Gostei muito do texto! :D

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