Tá bom ou tá ruim!?

Enquanto jogadores tentam mobilizar a CBF para mudar o calendário criminoso do próximo ano, uma outra discussão tem sido recorrente: o Campeonato Brasileiro de 2013 tem nível técnico baixo?

O tema é recorrente em programas esportivos, fóruns sobre futebol e artigos na internet. Gente boa, como Paulo Vinícius Coelho defende que a competição tem nível bom, a lista dos críticos é bem mais extensa.

Admito que tenho dificuldade em chegar a uma conclusão por não estar assistindo tantos jogos do Brasileirão. Ainda assim, discordo da metodologia que muitos usam para afirmar sobre a qualidade da competição.

Alguns utilizam o aproveitamento dos clubes. O que não significa nada, afinal, quanto mais equilibrado o torneio, maior a chance dos clubes obterem percentual menor de pontos. Não quer dizer nem que é bom, nem que é ruim, apenas que está parelho.

Para outros, o fato da disputa ser mais emocionante na zona de rebaixamento do que pelo título aponta para a falta de qualidade. Esta visão também é distorcida, afinal, são quatro “vagas” na Série B contra um posto de campeão. Mais times envolvidos na luta contra a degola é quase de praxe em qualquer competição.

Nesse pensamento, todo campeonato de pontos corridos é ruim. No máximo, esse argumento do foco na disputa mais intensa pode valer para defender o mata-mata.

Puxando a brasa

Outra coisa que há nessa história de a briga contra o rebaixamento ter mais espaço diz respeito aos regionalismos – veja bem, não falo em bairrismo.

Um exemplo atual: Cruzeiro e Botafogo estão lutando pelo título. O melhor paulista é o Santos, em 7º. Já o São Paulo está duas posições acima do Z-4. O que será mais debatido pela imprensa paulista: a briga de “forasteiros” ou o drama tricolor? Isso vale para o Rio, quando há cariocas fora do páreo, e outras regiões.

Sem fôlego

Para mim, é impossível dissociar o debate do nível da competição ao tema calendário. Nossos times e atletas disputam quase toda temporada com preparo físico e técnico precário. Quando estão esgotados, os jogadores olham para tabela e enxergam finais, jogos decisivos contra rebaixamento.

FUTDADOS: antes de outubro, mais de 20 integrantes das séries A e B já superaram os 50 jogos

Enquanto isso, jogamos três meses de calendário no lixo, com campeonatos estaduais desinteressantes, que cada vez ganham mais e mais rodadas, transformando as competições em maratonas, no momento em que os times deveriam estar engrenando para apertar o ritmo do meio do ano pra frente.

O torcedor já percebeu isso. Imagine quantos jogos do seu time neste ano valeu o ingresso pago. Falo em jogão mesmo, de tirar o fôlego, ganhando ou perdendo? Acho que são poucos, independente da camisa que você veste.

E quem dá jeito!?

Fico com a conclusão de Romário sobre a Confederação Brasileira de Futebol, que deveria organizar esta bagunça, visando o bem de clubes e jogadores, além de garantir o melhor produto ao torcedor: “a única preocupação desta entidade é encher as burras de dinheiro”.

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Um comentário sobre “Tá bom ou tá ruim!?

  1. Seguinte, eu ainda to digerindo essa parada toda aí de “mobilização de jogadores”.

    Eu penso que há um exagero nos treinos mais do que nos jogos. Pegamos como exemplo Messi na temporada 2011/2012. Ele fez 60 jogos pelo Barça, além de 10 partidas aproximadamente pela Seleção Argentina, total aproximado de 70 partidas na temporada. (aproximado porque foram 13 jogos em 2011 e 9 em 2012 pela seleção, peguei a média).

    Não creio que os brasileiros joguem muito mais do que isso no decorrer de uma temporada.

    Porém, vejo que os nossos técnicos não se dão bem por lá por exigirem muito nos treinamentos, e talvez aí esteja um grande problema.

    Sempre pensei que treinamento deveria ser para ajuste, se o cara joga domingo e quarta, ele vai estar sempre bem fisicamente, desde que não forcem a barra nos treinos.

    Sobre o nível do campeonato, acho que ele não mudou muito de 2006 pra cá. Nas últimas 2 Copas tivemos níveis parecidos, talvez tenhamos até jogadores melhores hoje em dia, talvez…

    Agora uma questão é importante, que você citou lá nos comentários do Facebook: o gramado.

    Isso afeta muito a saúde física do atleta.

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