Dou o braço a torcer. Os Estaduais precisam acabar

Por baixo, uns 2,9 mil jogadores ficam sem clube na maior parte do ano, segundo matéria da Folha de S. Paulo. Clubes e mais clubes ficam inativos de maio até janeiro. O quadro afeta atletas, preparadores físicos, massagistas e roupeiros, em um alarmante caso de desemprego em massa.

O parágrafo acima não é o jeito correto de abrir um texto argumentativo. Não apresento uma ideia. Por outro lado, os dados são, na minha modesta opinião, impactantes demais para não estarem no topo da discussão sobre o calendário do futebol brasileiro.

Faz muito tempo que penso no assunto calendário. Já escrevi post aqui neste espaço em fevereiro de 2011, e depois no blog Resenha Esportiva, em maio deste ano. Muita coisa mudou até hoje. Uma das ideias que derrubei é que nossas competições devem ser jogadas paralelamente com as europeias.

Estadual = Armadilha

Além disso, também repensei minha posição sobre os Estaduais. São uma particularidade nossa, entre as grandes nações do futebol. Por isso, sempre tentei montar uma proposta com esta competição incluída. Na última, imaginava um torneio de dois meses, abrindo a temporada, com poucos clubes. Enquanto isso, os demais disputariam as fases iniciais da Copa do Brasil.

>>> LEIA TAMBÉM: Nível do Brasileirão e calendário do futebol no país, dois debates inseparáveis

Ali, eu criava uma aberração. Um time eliminado na 1ª fase da CdB poderia ficar um mês e meio parado até o início de sua divisão no Brasileiro, isso logo no início do ano. Sem o torneio mata-mata, já imporia que alguns clubes ficariam dois meses parados, e talvez mais dois no fim da temporada, caso eliminados na Liga Regional (base do nacional).

Em miúdos, é inaceitável que um profissional seja obrigado a ficar meses sem trabalhar, sem garantia de salário. Não concordo com quem diz que a salvação dos times pequenos é enfrentar os grandes de sua região. Isso para mim é migalha. Enquanto isso, dezenas se engalfinham em divisões de acesso de seus estados, que não valem nada – se a primeira divisão já é um problema, imaginem as outras.

Tem que acabar

Tudo isso é para dizer que não há calendário racional com a existência dos Campeonatos Estaduais.  Sem eles, o Brasileirão iria de fevereiro até novembro. Em dezembro seriam as férias, e em janeiro seria a pré-temporada. As Ligas Regionais, que equivaleriam a Série E (dando oito vagas na Série D), teriam todos os times restantes.

A CBF se comprometeria a mantê-los em atividade, no mínimo até setembro. Outubro e novembro seriam os meses de mata-mata. Como teriam férias no mês seguinte ao término da competição, no máximo, existiriam jogadores nestas competições inativos em dois meses do ano.

O calendário planificado, no entanto, faria os clubes se tornarem mais organizados, mantendo contratos mais longos para prender seus principais jogadores. Assim, muitos, mesmo sem atuar, receberiam seus salários e não ficariam desempregados. A lógica, no papel, é a mesma para membros de comissão técnica. Melhor do que está aí hoje.

Avanço para os “de menor investimento”

Muitos, mas muitos times que conhecemos deixariam de ter um ou dois jogos em casa contra grandes do futebol brasileiro por ano. Por outro lado, terão a Copa do Brasil e o campeonato nacional para se destacar. Quem sabe o melhor time do Amapá não poderá fazer uma grande Liga Regional e subir para a Série D. Não seria melhor que ganhar seu Estadual?

O mesmo vale para o pequeno do Rio, São Paulo, Minas e por aí vai. Ao invés de ficarem se engalfinhando pelo simbólico título de “campeão do interior”, porque não sonhar em ser o melhor entre os pequenos do seu estado no Campeonato Brasileiro? Ou se tornar a grande zebra da Copa do Brasil?

Vale ressaltar, que em um mundo ideal, todas as competições teriam premiações dignas e justas da primeira até a última divisão, e em cada fase da Copa do Brasil. Isso manteria cada clube trabalhando sabendo como sobreviver, o que não acontece na maioria do país. Dinheiro para isso não falta, certo, dona CBF?

E se o Estadual não morrer?

Quem sabe a competição regional poderia sobreviver, como uma grande festa de fim de temporada. É possível. Imaginei-a assim: depois de disputarem o Campeonato Brasileiro de fevereiro a outubro, os oito melhores colocados no nacional por cada estado disputariam torneio de um mês. Dois grupos de quatro com três rodadas e o campeão de cada chave se enfrentando na decisão. É o famoso tiro curto, mas curto mesmo.

Com preços populares de ingressos, times com menos pressão, talvez fosse interessante acompanhar competições assim, com grandes clássicos e sem enrolação. Além disso, seria a chance para diversos tradicionais clubes do país levantarem uma taça. Afinal, existe no Brasil a ideia de que terminar ano sem título é sinal de fracasso.

Em suma, o que não dá é para termos esse Estadual da atualidade, desinteressante, deficitário. O público já o abandonou em sua grande maioria, agora há caso de clube que o deixou de lado. Fora o prejuízo técnico que eles causam aos grandes, que passam quatro meses jogando em um torneio de baixo nível.  Já que se tornou uma simples formalidade, tenho certeza não haveria grande luto se estas competições acabasse.

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