FERJ lidera arrecadação em torneio com clubes no vermelho

Um levantamento feito por Matheus Mandy, ex-dirigente do Paduano (que já foi personagem do Quatro Linhas no ano passado ao revelar que o clube só tinha R$ 3,25 em caixa no meio da temporada), ajuda a entender a falência do modelo atual do futebol brasileiro, em que clubes agonizam enquanto as federações não se envergonham em faturar. Derruba também a ideia de que sem os Estaduais os clubes pequenos morrerão.

Bonsucesso, campeão da Série B em 2013, se livrou de prejuízo certo neste ano

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Analisando todos os borderôs – documento que reúne as descrições de receitas e despesas – de jogos da Série B do Campeonato Carioca para checar quem mais faturou, salta aos olhos que o primeiro lugar é a Federação Estadual de Futebol (FERJ), com R$ 9.616,50.

Que FERJ estaria no azul era possível de prever, já que a entidade coloca na conta do clube todas as despesas que a entidade deveria ter, como taxa de arbitragem, transporte de funcionários, seguro do público, confecção e venda de ingressos, além de cobrar uma taxa fixa em todos os jogos, e determinar uma “venda mínima” de ingressos, em que o clube tem que garantir, nem que seja do seu bolso, a “presença de público” de 200 pessoas.

Aí chega a informação mais alarmante dessa história: todos os clubes participantes da Série B do Campeonato Carioca tiveram prejuízo até aqui. E vale lembrar que não há premiação e não há direito de transmissão para salvá-los. O grande campeão do saldo negativo é o Paduano (sempre ele!), que perdeu mais de R$ 15 mil, mesmo só tendo disputado quatro jogos.

Eu defendo a extinção dos Estaduais, com já deixei bem claro aqui, mas ouço de muita gente que os eles é que salvam os pequenos. Alguém me explica como? Quem se dá bem com eles são as federações! Os 17 times que participam da segundona do Rio lutam pelo direito de subir para a primeira, em que não há garantia de melhora nas finanças.

O mesmo Mandy levantou que dos 12 pequenos da Série A, sete tiveram prejuízo nos borderôs, o que é minimizado pelas cotas de TV, premiação, enfim. Nada que dê grande saúde financeira a Bangu, Madureira e cia. Caso não se destaque na primeirona, terá valores baixos a receber e ficará fora da Série D, assim sendo, corre o risco de ficar inativo a partir de abril.

A realidade da Série B do Rio deve ser a mesma que a segunda divisão do Mineiro, primeira do Campeonato Matogrossense, terceira divisão do Gaúcho, e por aí vai. Em todos esses estados, as federações não ajudam, e pior, correm para prejudicar os clubes com as interdições de estádios. Na hora de ganhar seu rico dinheirinho, no entanto, são os primeiros da fila. Trágico!

Confira a tabela de lucros e prejuízos da Série B do Campeonato Carioca:

1º FERJ: R$ 9.616,50
2º América: (R$ -801,43)
3º São João da Barra: (R$ -2.758,12)
4º Mangaratibense: (R$ -7.060,74)
5º Americano: (R$ -5.658,22)
6º Olaria: (R$ -7.633,58)
7º Goytacaz: (R$ -7.795,26)
8º Tigres: (R$ -8.514,05)
9º Quissamã: (R$ -9.106,09)
10º São Gonçalo: (R$ -9.464,37)
11º Portuguesa: (R$ -9.600,57)
12º Barra Mansa: (R$ -10.465,56)
13º Sampaio Corrêa: (R$ -11.206,26)
14º Ceres: (R$ -12.097,25)
15º Barra da Tijuca: (R$ -12.261,57)
16º Queimados: (R$ -12.667,17)
17º Angra dos Reis: (R$ -12.683,41)
18º Paduano: (R$ -15.277,46

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