“Fantasma” deixa jornalistas neuróticos na Granja Comary

Pela primeira vez faço parte da cobertura de treinos da seleção brasileira, e confesso que me impressionei com a existência de um “fantasma” na tribuna de imprensa: o do corte por lesão. A sensação é de que todos estão previamente tensos porque irão acompanhar o drama de algum jogador contundido antes da Copa do Mundo.

Na tribuna de imprensa a tensão é evidente em qualquer jogada mais dura

Na tribuna de imprensa a tensão é evidente em qualquer jogada mais dura

“Eu cubro treino de clubes quase diariamente, e ninguém fica tão atento assim aos movimentos dos jogadores como na seleção, principalmente em Copa do Mundo. Beira a loucura! O jogador sobe para a sala de musculação e as pessoas já querem saber quem é”, disse o repórter André Plihal, da ESPN Brasil.

A tensão é quase constante, e aumenta a cada carrinho, cada dividida. Nesta quinta-feira, por exemplo, o maior susto foi em uma entrada mais dura de Bernard em Neymar. Não são apenas estas jogadas que preocupam. Qualquer jogador que sente no banco ou que saia mais cedo provoca alvoroço.

“Tem sempre esse fantasma, esse risco, mas acho que é mais para nós (jornalistas). Acho que os jogadores não se preocupam muito com isso não, eles treinam sem medo”, avaliou Eraldo Leite, da Rádio Globo, que acompanha a seleção brasileira desde 1981.

O clima chega a ser tão pesado, que no terceiro dia de entrevistas coletivas, os escalados foram o médico José Luiz Runco e o preparador físico Paulo Paixão. Ambos tentaram, praticamente em vão, acalmar os ânimos.

“Se algum atleta não for visto em um grupo de treinamento no campo, não significa que ele estará machucado. Ele poderá estar fazendo um trabalho muscular específico”, garantiu Runco.

O principal motivo para tanta tensão entre os jornalistas é a longa lista de jogadores cortados desde 1970, que inclui 14 atletas. Apenas em 1990 e 2010, não foi necessário substituir um jogador do elenco.

“O histórico contribui para essa neura. A história diz que quase sempre tem um corte, por isso fica todo mundo mais atento que o normal”, admite Plihal.

Cada atividade dos jogadores é acompanhada minuciosamente

Cada atividade dos jogadores é acompanhada atentamente por jornalistas

Tudo isso faz com que cada atividade da seleção brasileira seja acompanhada minuciosamente. Os jornalistas não arredam pé do lugar a eles destinado, até o apito final de Felipão. Aliás, mesmo durante algumas brincadeira é preciso ficar de olho, afinal,  já houve jogador cortado após lesão sofrida no rachão, como lembra Eraldo Leite.

“A contusão do Emerson em 2002 foi surreal. Ele é um jogador de meio-campo, que foi jogar de brincadeira no gol para não se expor nas divididas, acabou machucando o braço e ficou fora da Copa”, disse o jornalista da Rádio Globo.

André Plihal, em tom apocalíptico, falou sobre o que seria um possível problema físico com Neymar, o que provavelmente é tema de alguns dos piores sonhos de todos que cobrem a seleção brasileira.

“Aí é mobilização total. Seria uma bomba atômica, maior até do que o Romário em 98, porque quando acontece com o grande craque do time, é claro que a ebulição é maior”, garantiu o repórter, lembrando que a estrela daquele time era Ronaldo.

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